terça-feira, 8 de dezembro de 2009

O cachorro de George

No meio de uma rua erma castigada pelo sol de duas horas da tarde, um cachorro preto e branco caminha com passos vacilantes ao longo dela. As casas estão todas fechadas, apenas as janelas abertas, mas só aquelas onde os raios de sol não invadem seus interiores.

O cachorro tem um palmo de língua para fora de sua boca. A quentura parece não ter pena dele, que para em frente a uma casa bem humilde. No pátio da casa há um velho em uma cadeira de balanço. O cachorro o observa; o velho também o observa. Segundos depois, uma criada traz um copo com água para o velho, ele a bebe com voracidade, pelo canto de suas boca escorre um pouco da água, que cai em seu peito suado, coberto por uma camisa de botão aberta até a barriga, ele para de beber a água para respirar.

O velho encara o cachorro; o cachorro se aproxima. Os olhos do cachorro miram aquele copo com água. O velho vira o copo em sua boca e acaba com tudo que tinha dentro dele. Quando termina, enxuga a boca e segura o copo apoiando-o em sua coxa. O cachorro ainda o olha, de repente em sua direção voa uma sandália jogada pelo velho, mas ela bate nas grades. O barulho expulsa o cachorro. O velho sem a sandália não tem forças para andar e buscá-la, parece derrotado por aquele calor, sua tez sua bastante.

Mais à frente, o cachorro tenta, de uma forma desesperada, fugir do sol e anda pausadamente pelas calçadas onde há sombra. Assusta-se com os gritos de um homem gordo e alto:

- Saí daí seu pulguento! Só pira! - O homem lança essas palavras com fúria e nojo, mas quem assistisse a cena, perceberia quem e o que era mais nojento.

O cachorro, agora, está no meio da rua, de novo, já quase não tem forças para andar, sua cabeça está quase encostando ao chão e sua língua quase lambendo o asfalto abrasador. Ele tem cede e ,quem sabe, muita fome. Mais à frente, um homem em frente a uma casa assobia para seu vizinho; o cachorro não entende e pensa que aquela figura está lhe chamando. Com um pouco mais de esperança, o cachorro consegue acelerar seus passos caminhando em direção ao homem. De frente para ele, o coitado se senta e passa a língua pelo seu focinho. Não adianta, ali parece ninguém ter pena ou gosto por animais. O homem entra em sua casa e nem nota nosso herói.

Sem mais motivação o cachorro avista uma vala suja com restos de lixo, água escura com uma mancha branca que parece ser algum produto químico usado para limpeza despejado ali. Ele olha para a água, e com sua língua pendurada vai até lá para bebê-la. Não havia outra forma, sua cede havia passado e ali era a única fonte onde se saciaria. Ele anda vagarosamente até um cantinho de uma passarela onde há bastante sombra e se deita para um cochilo.

Mesmo sendo um cachorro de rua, um cachorro nômade talvez, ele tinha um nome: Sayde. Faltava-lhe um lar (adote ou tire um animal das ruas). Sayde felizmente foi encontrado por George minutos depois de ter dormido. Hoje George tem um cão, um amigo, parte de sua família.

Não abandone ou maltrate os animais, um dia poderemos estar no lugar deles a mercê da própria sorte.

Não contribua para o efeito estufa, a mudança climática pode nos castigar mais ainda.

Imagem retirada de: www.plugpet.com.br/?c=6&s=Materias&i=43