sexta-feira, 2 de julho de 2010

O Vizinho de George

Faz pouco tempo George se mudara para um lugar na cidade; assim, poderia ficar mais próximo do seu local de trabalho, sem precisar viajar horas infinitas em ônibus completamente sorteados. George ,agora, morava em um apartamento, não muito admirável, mas ele poderia desfrutar de uma bela paisagem, onde o horizonte era uma linha que dividia o céu do mar, depois de prédios que durante as noites esbanjavam suas belas luzes.

George todas as vezes que chegava do trabalho, por volta das dez horas da noite, sempre encontrara um mendigo dormindo ao relento tangente as paredes de uma lanchonete fechada. Vez ou outras, George sempre punha uma pequena sacola ao lado daquele ser completamente adormecido, detalhando que, mesmo sendo mendigo, seu rosto não mostrava qualquer tipo de dor ou sofrimento, dentro da sacola sempre havia um lanche e uma garrafinha se suco, quase sempre de laranja. Provavelmente ele acordara todas as manhãs e nunca adivinhara de quem era aquele ato de caridade; mas, mesmo assim, comia com satisfação para seguir sua jornada.

Digo a vocês que esse mendigo era um Índio, sua tribo foi extinta há algum tempo. Quando ainda era um pequeno Índio, o homem branco chegou, arrasou e transformou seu lar em rios de capital, o capital mais selvagem que se pode existir. Não sobrou nada, a tribo foi desfeita, alguns morreram de fome outros morreram de tanto trabalhar devido à escravidão, outros morreram com doenças que nem sabiam que existiam. Os Índios eram fracos, porém, um povo valente, muitos corpos a mãe natureza tragou para que assim pudessem descansar em seu seio, decorrente das batalhas que travaram para defender suas árvores, suas moradas e,principalmente, as suas mulheres e crianças.

Agora que o leitor já sabe um pouco da sua biografia, vou lhe dizer como ele foi parar aí onde lhes disse pela primeira vez. Quando pequeno, seu pai conseguiu que o pequeno saísse dali, não se sabe por que meios, mas se sabe que um dos exploradores era uma doce mulher, que conseguiu ludibriar “seus amigos”, com quem tinha chegado lá, e fazer com que o menino chegasse à cidade. Mas, perdeu o pequeno em meio à multidão. Então, ele cresceu nas ruas sem ninguém e seu fim já nos e sabido.

Esse índio quando cresceu, nunca esqueceu de suas origens. Na cidade era tudo diferente, não estava mais em seu hábitat: muitas pedras, muito ferro, muita gente, muita doença, muita morte, muita poluição, pouca natureza e pouca alegria. Ele passava os seus dias plantando pequenas mudas de árvores onde podiam ser plantadas; desentupia bueiros; ajudavas animais de rua dando-lhes, às vezes, sua própria comida; apagava pequenas queimadas oriundas de folhas secas de árvores e lixos domésticos que as pessoas faziam. Enfim, ajudava a mãe natureza, que guardava as almas de seus ancestrais. Assim o Índio, agora velho, vivia seus dias, ora mal tratado, violentado e xingado, ora faminto, com cede ou doente. Muitos foram testemunhas do que ele vinha fazendo, poucos entendiam sua filosofia e seu zelo pela natureza, mas George sabia os atos majestosos do Índio.

Tempos depois o Índio morrera com uma doença do homem branco, não sei qual foi, mas o matou, é fato. Aquele lugar onde ele adormecera durante anos para recompor suas energias, logo foi derrubado e construído uma loja. Uma loja de utensílios indígenas para turistas, parte da receita era utilizado para ajudar animais abandonados; educação e preservação ambiental e a outra parte era doado a uma fundação de apoios aos índios, era uma loja do bem e, por incrível que pareça, não visava o lucro somente.

Leitor, só isso que tenho a lhes dizer... Essa pequena estória que gostaria que você não a tratasse como uma ficção. Preserve e respeite todas as formas e vida.